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Mercado financeiro reage mal ao desentendimento entre Bolsonaro e Guedes

DESCOMPASSO – Em evento em Minas Gerais, o presidente Jair Bolsonaro criticou os planos do Renda Brasil Marcos Corrêa/PR/Divulgação

Após mais um dia de sinais fortes de desalinhamento entre o governo Bolsonaro e a equipe econômica do ministro da Economia, Paulo Guedes, o Ibovespa teve queda significativa nessa quarta-feira, 26. A bolsa brasileira caiu para abaixo de 100 mil pontos por volta das 14h45, mas recuperou as perdas no final da tarde e caiu 1,46%, a 100.647 pontos. A queda drástica ocorreu após a fala do presidente Jair Bolsonaro em um evento em Minas Gerais criticando publicamente os planos de Guedes para o Renda Brasil. O programa social que prevê fim de alguns benefícios, entre eles o abono salarial, se tornou controverso na visão do presidente, que está trabalhando para aumentar sua popularidade. Na visão de Bolsonaro, acabar com programas já existentes ara engendrar um novo com valor considerado baixo por ele não vale a pena. “Está suspenso. Vamos voltar a conversar. A proposta como a equipe econômica apareceu para mim não será enviada ao Parlamento”, disse o presidente, afirmando ainda que não concorda em transferir dinheiro de “pobre” para “paupérrimo”.

O que mais preocupa o mercado financeiro é que a falta de um consenso entre a agenda política e desenvolvimentista de Bolsonaro e a equipe de Paulo Guedes, de olho no ajuste fiscal do país. “Esse conflito sinaliza que pode vir um gasto público maior que se imagina, agravando a questão fiscal”, diz Paloma Brum, analista da Toro Investimentos. O equilíbrio fiscal é a pedra fundamental para o desenvolvimento econômico de um país emergente como o Brasil, e está cada vez mais em xeque. No primeiro semestre de 2020, a dívida bruta do governo já soma 6,15 trilhões de reais, 85,5% do PIB, e pode chegar a 100% do PIB até o final do ano, com déficit público no governo Federal de 817,8 bilhões. Quando somados à conta estados e municípios, o déficit público pode chegar a 912,4 bilhões de reais, ou seja, 13,2% do PIB – já incluindo projeção de 154,4 bilhões de reais da extensão do auxílio emergencial. 

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/mercado-financeiro-reage-mal-ao-desentendimento-entre-bolsonaro-e-guedes/